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terça-feira, 13 de maio de 2014

Entrevista com Ir. Miria Kolling



Entrevista com Ir. Miria Kolling

por Fabiano Fachini

Cantora católica fala sobre Frei Fabretti,ofm, o homenageado da 6ª Edição do Troféu Louvemos o Senhor

Em entrevista a compositora e cantora Irmã Miria Therezinha Kolling fala sobre o Troféu Louvemos o Senhor e o homenageado do ano: Frei Fabretti,ofm. Amiga do Frei, Ir. Miria se lembra das viagens que fez ao lado do franciscano para evangelizar pelo Brasil através da música. “Ele queria ver o povo cantando e feliz”, destaca ao lembrar-se de como ele “sentia” a plateia para realizar uma apresentação e permitia a mudança das próprias canções pelo povo.

Premiada em 2012, com o Mérito Especial do Troféu Louvemos o Senhor, Irmã Miria Therezinha Kolling é religiosa da Congregação do Imaculado Coração de Maria. Nascida em Dois Irmãos, Rio Grande do Sul, desde cedo aprendeu na família a amar e cultivar a música. Na Congregação teve oportunidade de aprofundar seus estudos musicais, e dedicar muito de sua missão e carisma da congregação a evangelizar pela música.

Confira a entrevista completa realizada com a Irmã Miria Therezinha Kolling sobre o cantor e compositor Frei Fabretti,ofm, ao qual o Troféu Louvemos o Senhor faz uma homenagem póstuma na 6ª Edição do maior prêmio nacional da música católica.

Entrevista:

Imprensa:
Quem foi Frei Fabreti na visão da Irmã Miria Kolling?

Ir. Miria: Frei Fabreti foi uma alma franciscana apaixonada, que certamente aprendeu com  o pai Francisco, o grande cantor de Deus, a louvar o Senhor com a voz, o coração  e a vida, pela mãe natureza, a irmã terra, o sol e a lua, enfim  por toda a beleza e bondade que nos vêm das mãos do Criador.

Descobri-o num Encontro de Liturgia e Canto Pastoral em Petrópolis, na década de 80, e logo se tornou companheiro, colaborador e querido amigo, nas andanças musicais pelo Brasil afora.

Imprensa:
Ele sempre fez canções litúrgicas de louvor, Espírito Santo, Salmos... De onde vinha inspiração para tantas músicas que se tornaram populares?

Ir. Miria: Certamente a inspiração é um dom divino, muito especial, que não é dado a todos, mas a alguns privilegiados, como foi o caso do Frei Fabreti. Inspiração que lhe vinha da vivência, da Palavra de Deus, das experiências de vida. Lembro que às vezes, quando viajávamos juntos para cantar em algum lugar, lhe explodiam os “repentes”,  os “insights”, como se diz, aquele motivo inicial da inspiração que depois se trabalha e se faz canto...  Ao contemplar uma bela paisagem, fruto de uma conversa ou troca de ideias, algum acontecimento... A inspiração é algo que não se explica, vai brotando do coração e se fazendo melodia, canção. Nesse sentido, ele era muito intuitivo, natural e espontâneo. Quantas partilhas do coração!...

Imprensa: Ele fazia preferencialmente a música ou a letra?

Ir. Miria:
Frei Fabreti teve um excelente parceiro letrista, o poeta  José Thomaz Filho, de Petrópolis, que até hoje faz belíssimos textos, inspirados na Palavra de Deus e na própria liturgia, o que é fundamental para o compositor produzir também belas melodias. De modo que a maioria de suas canções, sobretudo as Missas (Espírito Santo, Natal, Nossa Senhora, do Reino, Vocacional e tantas outras, a maioria gravada pelas Paulinas / COMEP), tiveram poesia do Thomaz Filho. Mas o Fabreti também compôs, ele mesmo, letra e música de vários cantos, especialmente os franciscanos e salmos parafraseados... Basta lembrar o Salmo 23, do Bom Pastor, que não há quem não cante e não se comova cantando... Mas, de fato, era mais compositor, músico, do que poeta, com melodias que se tornaram imortais, facilmente reconhecíveis, pelo seu estilo próprio: fácil, popular, intuitivo, ao mesmo tempo simples e grandioso.

Imprensa: Algum fato marcante que se lembra de ter vivido ao lado do Frei Fabreti nas viagens pelo Brasil evangelizando?

Ir. Miria: Uma coisa que sempre me chamou a atenção no Fabreti foi sua abertura e profunda sintonia com o povo. Incrível como ele era facilmente capaz de ceder  ao modo de sentir da plateia, mudando  suas melodias ao gosto dos que o cantavam. Se a reação do público era diferente da sua melodia, interpretando-a de outro modo, quase criando nova melodia, ele se rendia  e mudava, o que não é tão comum aos compositores, inclusive a mim... E como irradiava felicidade quando ouvia a multidão cantando o que lhe nascera do coração!... Ele queria ver o povo cantando feliz.

Marcante foi também seu modo de tocar o piano e o teclado, ao se acompanhar nas canções. Mais ou menos como o nosso querido e talentoso Valdeci Farias: ambos eram exímios pianistas, se derramavam em sublimes acordes pelo teclado, deixando os ouvintes embevecidos com o belo acompanhamento que faziam ao interpretarem suas melodias, e também de outros... Realmente, um instrumento bem tocado ajuda muito a embelezar o canto.

Imprensa: Fabreti partiu muito cedo, aos 38 anos (16/04/1954 a 25/11/1992). Como foi esta despedida?

Ir. Miria:
Foi muito sofrida, porque ele partiu cedo demais, e de forma bastante inesperada. Tantas composições iniciadas, tanto por compor e cantar, uma vida pela frente!...  Mistérios de Deus, a quem pertencem o tempo e a vida... Ele a viveu intensamente, enchendo-a da divina música que o sustentou e fez tão feliz.

Lembro que havia muitas Missas e cantos iniciados, encaminhados e não concluídos.  A última que ele compôs foi a Missa Vocacional “Eis-me aqui, Senhor!...”, que  me fez aprender, já que naquele ano de 1992 não tinha mais muita condição de me acompanhar nos Encontros de Canto Pastoral e Liturgia.  “Miria, vou dedicar essa Missa a você, que vai ensiná-las nos cursos em meu lugar!”...- me disse ele.  Acompanhei-o de perto naquele tempo final de sua vida. Uma das vezes que o visitei, no Largo São Francisco, ele me surpreendeu: “Miria, tem razão aquele seu canto “A nossa vida a um sopro é semelhante” (Missa Creio na Vida), porque somos sopro e nada mais, tudo passa e nós vamos...” Como não chorar? Mas sempre procurei consolar seu coração e estar do seu lado, nos momentos alegres, de sucesso, como também nos difíceis, do seu sofrimento, e no final, quando foi cantar  e tocar no céu...

Imprensa: Conversamos com a mãe e irmã do Frei Fabreti. Elas estão muito felizes com a homenagem. Como você se sente neste momento, sendo que você também recebeu o prêmio de mérito especial do Troféu Louvemos e também era amiga dele?

Ir. Miria: Merecida homenagem ao grande compositor de tantas e tão belas músicas, e fiel amigo de tantas viagens,  encontros e parcerias!

O Troféu Louvemos o Senhor 2014 fica mais rico e completo por essa feliz lembrança-presença de alguém que partiu, mas continua vivo nas suas imortais melodias, que tanto nos ajudam a cantar a fé, o amor, Deus!

Imprensa: Algo a mais, Ir. Miria...

Ir. Miria: Muitas canções do Frei Fabreti ficaram desconhecidas, não foram divulgadas nem gravadas... Eu mesma procurei resgatá-las, mas não tive acesso ao seu acervo musical, de modo que “adormeceram” sem vir à luz... Uma pena! Oxalá pudessem se tornar conhecidas e cantadas por nossas comunidades cristãs, pelo  nosso povo celebrante, de modo que as vozes de quem ainda canta a liturgia terrena pudessem encontrar as do céu,  num abraço sonoro, numa sinfonia universal, unindo-nos aos  que já celebram a eterna liturgia! Seria o melhor Troféu!...

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