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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

O Rico Insensível e Sem Nome

Na bíblia o nome tem uma importância particular. Todos os nomes bíblicos ademais de  bonitos, têm um significado. Javé significa “aquele que é”;  Eva significa “mãe de todos os viventes”; Pedro  (Kefas) vem de “pedra”. Por outro lado, dar  nome é sinal de domínio. No Gênesis  Adão  dá nome às demais criaturas. Chamar pelo nome é sinal de amor, de carinho, de conhecimento e pode significar chamado.  Deus chama pelo nome: “Quando ainda estava no seio da minha mãe Deus me chamou” diz o profeta Isaías.

A parábola do evangelho deste domingo mostra como Deus pensa diferente de nós. Para nós o pobre tem menos importancia do que o rico. “Alguém está batendo na porta pedindo comida”, “os caras na esquina estavam se drogando”, o pobre não tem nome, é um Zé-ninguém. Enquanto que do rico nós sabemos o nome ou pelo menos o  chamamos de  senhor. No evangelho de Lucas o  homem rico que se vestia à  útlima moda, se bronzeava e se banqueteava todos os dias não tem nome. Pessoa sem nome pode ser qualquer e pode ser ninguém. Enquanto que o pobre que comia as migalhas que caíam da mesa do rico chama-se Lázaro. O dois morrem. Um vai para  o seio de Abrahão (para o céu) e o outro para o inferno. O rico sem nome implora a ajuda de Lázaro mas o abismo que há entre os dois não permite que alguém atravesse de um lado para o outro. É tarde demais. Alguem cavou esse abismo.

A parábola não pretende tratar o tema da retribuição: quem é pobre fica rico e quem é rico fica pobre e tampouco pretende condenar as riquezas. O evangelho de Jesus quer questionar a situação injusta e a insensibilidade do rico sem nome. Ele foi condenado não porque tinha muito dinheiro, mas porque tinha pouca sensibilidade, não prestou atenção ao próximo que estava  tão pertinho, sentado à sua porta e ansiava comer das migalhas que sobravam. É  condenado porque fecha a porta do seu coração e dos seus olhos; fecha-se em seu egoísmo e cava um abismo entre ele e Lázaro. Abismo que permanecerá na outra vida e quem quiser passar de um lado para o outro já não o poderá fazer.

Nem vocês e nem eu somos ricos se nos comparamos com Bill Gates. No entanto se nos comparamos com a maioria das pessoas no mundo, somos privilegiados. Nós temos roupa, comida, ar condicionado, telefone, carro e mais que preocupados com o que comer, estamos preocupado com a dieta. A maioria dos Lázaros encontram-se ainda batendo à porta e 50% da população mundial para se ter uma idéia nunca conheceram um telefone e passa fome.

Porém, isso não significa que temos que carregar nos ombros os problemas do mundo. Temos suficientes problemas no dia a dia para carregar e resolver. Mas o que não podemos é isolar-nos do mundo e dos outros como se existissem somente os nossos problemas. “Ai dos que vivem despreocupadamentre em Sião”diz o Senhor a Amós na primeira leitura. Não podemos ser insensíveis como o rico do evangelho. Para Jesus, os bens foram dados a todos e quem tem mais é convidado a partilhar com os  que não tem. A generosidade e a partilha será sempre o sinal e o testemunho mais visível dos que seguem a Jesus Cristo.

Porque a insensibilidade nos leva a fechar-nos sobre nós mesmos como caramujos e ver o mundo desde a nossa mesquinhez e dos nossos problemas.  E não há fómulas mágicas que nos ajude a superar a nossa insensibilidade e o distanciamento entre nós e os outros; não há fórmulas mágicas que transformem o nosso coração de pedra em coração de carne. “Se não escutam a Moisés e nem os profetas, eles não acreditarão ainda que alguém ressuscite dos mortos”. Moisés nos deu os mandmanetos e os profetas nos chamam ao arrependimento.

Fomos criados para a relação e para a comunhão. E Deus, com a nossa vontade, pode transformar o nosso coração e fazê-lo sensível à presença dos Lázaros que estão  à nossa porta e à nossa mesa, talvez pedindo carinho, talvez pedindo atenção, talvez pedindo tempo, talvez pedindo paciencia, talvez pedindo fidelidade, talvez pedindo compreensão ou talvez pedindo pão.

Não cave um abismo entre ti e os Lázaros porque esse abismo poderá permanecer para a eternidade e então teu nome desaparecerá da lista de Deus.

Pe. Scaravelli, c.s.

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